19.10.12

É hora de voltar






É quase impossível ficar sem escrever durante um ano, claro que durante o ano de dois mil e doze alguns textos foram escritos, mas não publicados aqui.
Em breve!

5.4.11

Sábados ensolarados




Que saudade do tempo da minha adolescência. Tempos passados, mas que deixaram boas recordações, como as noites em claro tocando violão com a turma, as aulas entediantes, as fofocas de quem estava ficando com quem, quem tinha beijado quem, o primeiro beijo, a primeira carta de amor. Quem nunca passou por essas coisas? Se não passou, que pena.

Meu Deus, como era bom. Que saudade me dá daquele tempo. Meus 14 anos, ai que saudade. Como éramos ingênuos, nossa! Quantos sonhos, expectativas para quando fôssemos adultos. Gente do céu, era muito bom. O melhor, sem sombras de dúvida, eram as amizades. Amigos que o tempo afastou, amigos vitimados pela distância, pelos compromissos individuais, amigos roubados da vida pelo tempo.

Tenho muita saudade do tempo em que não tínhamos certeza de nada, mas éramos convictos. Kkkkkkkkkkkk... Quantas paixões platônicas, quantos medos infundados, quanta resistência em aceitar as ordens dos pais, quantas neuras, quanto medo de errar e fazer feio na frente dos outros. No entanto, quantas descobertas que nos moldaram a vida.

Sinto falta daquela alegria em ver os amigos, de nos reunirmos e das festas que fazíamos juntos. Falta das conversas longas que terminavam em longos beijos na boca. Faz mais falta ainda de “sentir aquele frio na barriga” ao encontrar a pessoa que se ama em segredo. Falta dos abraços sinceros dos amigos nos momentos difíceis. Falta de jogar conversa fora até tarde da noite. Como era bom, nem víamos o tempo passar.

E as viagens com os amigos? Nossa! Como era divertido, o senso de liberdade e responsabilidade ao mesmo tempo. Éramos uma família só de adolescentes. Nas despedidas dos amigos, chorávamos. Na chegada dos amigos, fazíamos festa. As primeiras bebidas com álcool, quanta inocência. Todos dizem isso um dia na vida: “Éramos felizes e não sabíamos”. Não sabíamos por que a poluição realista do mundo não tinha nos atingido ainda.

Esperávamos a semana inteira passar, para chegar sábado, quando nos reuníamos sempre na casa de um dos amigos. Era abraços e as vezes brigas ou intrigas, cismas adolescentes, coisa de criança crescida, mas depois a paz reinava, se pedia desculpas e se perdoava de verdade. Tudo era festa na companhia da galera, do caldeirão.

Saudade de um tempo que nunca vai sair da memória. Eita vontade de voltar no tempo. Mas não dá. Cada um seguiu seu caminho, e as vezes nos cruzamos pela vida, mas já sem aquela alegria da adolescência. Muita coisa mudou. Crescemos e desaprendemos a viver, desaprendemos o caminho da felicidade, nos roubaram a inocência, sequestraram nossas conversas, prenderam nossa cumplicidade e, é claro, nos separaram.

Que falta me faz sentir o gostinho da novidade das coisas da vida. O primeiro isso, o primeiro aquilo. Saudade de ir descobrindo como tudo o que não sabíamos, coisas que só a vida e o tempo poderia nos proporcionar. Assim, chega um momento, que nada mais é novidade, tudo é rotina, uma sucessão de acontecimentos que o tempo vai te mostrando sobre como é a vida.

Quantos sonhos! Quase todos destruídos pela realidade. Perdemos a inocência, mas ganhamos experiência, responsabilidades e deveres. Eita, que saudade da liberdade daquela época.

Com o passar do tempo, descobri que a vida adulta é mais sem graça do que eu imaginava quando adolescente, no entanto, só com o tempo descobri o que sou e que mesmo a vida de adulto sendo meio sem graça, existe o gosto das suas conquistas ao longo do tempo, como carreira profissional, filhos, satisfação pessoal, dinheiro e notoriedade.

Enfim, a minha juventude permanece, não sou um velhinho gagá, mas se já vivi duas décadas e oito anos e tenho tanta saudade da minha adolescência, é sinal de que a vivi bem, por que “ninguém sente saudade de momentos ruins”, e se é assim, que bom que tenho saudade daquele tempo. Espero que quando estiver mais velho ainda, também sinta saudade dos tempos de hoje.

4.4.11

Até Quando?




Silêncio... respiração surda
Olhos assustados
Um tiro __ Ahn?!
Respiração ofegante...
Coração disparado, angustiado
Escuridão num silêncio gritante
Medo e incerteza se misturam

Gritos de mães e crianças
Passos apressados sobre pedras
Desconfiança em tudo, olhos voltados para o escuro.
Mãos trêmulas sem força
Bocas abertas sem voz, só sussurro
Insegurança num ar respirado por muitos
E a morte não sai do pensamento.

Vítimas, somos todos violentados
Violência urbana, terror incontrolável!
Inocentes mudos, mortos pela intolerância
“E o fim?” pergunta uma voz sufocada e insistente
“A quem iremos nós?” Iremos...
Àquele que na cruz foi vítima de um mundo sem PAZ.

SILVA FILHO, Isaac Cândido da. CRB-GO, Set.2005. (reeditando textos antigos)